Thursday, April 19, 2007

PERNOCAS EM PERIGO!

Capítulo 4: Tarde tranqüila no inferno.

Tirei o resto do dia pra cuidar de coisas mais importantes do que o problema do velho Pernocas. Eu estava sem dar uma já fazia um bom tempo, por isso liguei pra Carolzinha, uma marmita que eu comia naquela época. Pernocas podia esperar.

O pernocas tinha me pedido pra ajuda-lo a encontrar uma garota do meu passado. Uma daquelas mulheres que a gente nunca esquece, ou seja, uma que eu não comi. Ela tinha roubado uma grana dele. Ser homem é isso. Você sempre paga por sexo, de uma maneira ou de outra.

Com Carolzinha não era diferente. Ela não era uma profissional. Mas pra levar a garota pra cama eu sempre tinha que pagar umas doses de vodka antes. Por sorte ela era fraca pra bebida e, antes de anoitecer ela já tragava seu Marlboro pós-coito na beirada da minha cama. “Tenho que parar de comer essas mulheres que bebem no meio da tarde”, pensei comigo.

Quando a campainha tocou eu imaginei que seria o mala do Caolho, o capanga do Pernoacas. Um sujeito feioso que, ao que tudo indica, servia como bidê do Pernocas. Isso mesmo. A similaridade com a peça de louça estava na função.

Imagine minha surpresa, caro leitor, quando, ao abrir aquela porta eu encontrei ninguém menos que a própria Natasha. Essa mesma. A garota que Pernocas queria que eu encontrasse.
- Sentiu saudade?
Tive vontade de dizer que não. Mas estaria mentindo. A garota era boa demais pra ser esquecida. Vestia uma mini-saia de couro. Coisa de vadia. Mas o rostinho...era de anjo. Imaginei quantos sujeitos tinham se perdido por aquele jeitinho de menina. O cálculo levaria a um numero grande demais pros meus reduzidos conhecimentos de matemática.
- Claro. Principalmente do dinheiro que você levou. Aquele dinheiro que o merda do seu marido me acusou de ter roubado.
Natasha fez uma carinha de vítima que derreteria as bolas do Homem de gelo. Talvez até as do Wolverine.
- Eu precisava de dinheiro pra recomeçar - disse fazendo beiçinho.
“Filha da puta”, pensei.
Nesse momento Carolzinha entrou na sala vestindo minha camiseta do Seu Madruga. SÓ a minha camiseta do Seu Madruga.
- Quem é essa vadia? - perguntou a Carolzinha num tom delicado de Patricinha que quebrou as unhas.
- Trabalho, neném. Só trabalho. - respondi - agora da licença que a gente precisa conversar...
Carolzinha não gostou.
- Ta me mandando embora pra conversar com essa vadia? - grunhiu a menina.
- Olha a língua, magrela - respondeu a outra no mesmo tom.
As duas se engalfinharam. Divertidamente, a saia curta de uma e falta de roupa da outra transformaram aquilo num espetáculo e tanto. Se as duas estivessem na lama aquilo seria o paraíso. Como elas estavam na sala da minha casa, onde havia uma certa quantidade de objetos quebráveis, a briguinha acabou virando um inferno. Quando as duas derrubaram e trincaram o único porta-retratos da casa eu fiquei puto. Porra, minha foto do Maluf, não!

Parei a briga a custa de dois arranhões e uma mordida na minha orelha. Depois pus a Carolzinha pra fora. Ainda sinto saudades da minha camisa do Madruga. Todos gostavam daquela camisa.
- Quem você acha que é pra me colocar pra fora? - gritou a piranhinha do corredor.
- Guga Caldas, neném. Canalha e aventureiro - respondi pra não disperidiçar a deixa e garantir o clichê.

Em seguida me virei pra Natasha e perguntei sem dó.
- E então...qual é? Desembucha.
A garota voltou a fazer beiçinho.
- Guarda a carinha de anjo pros trouxas, benzinho. Comigo não. Você ta aqui por algum motivo. E eu acho que tem a ver com o Pernocas!
- É isso mesmo.
- E qual vai ser?
Ela trocou a carinha de anjo pela própria expressão de Satã e disse sem papas na língua:
- Eu quero que você mate o Pernocas!