Capítulo Final: Comendo capim pela raiz sem vinagrete.
A casa do Pernocas era grande e afeminada como ele. O mau-gosto transbordava da piscina em formato de banana até inundar o assoalho cor-de-rosa da sala. Natasha riu. Não dava pra não rir daquela decoração. Parecia um filme pornô dos anos 70. Tudo graças ao mau-gosto do agiota safado que nós pretendíamos matar. O infeliz que atendia pelo nome de Pernocas. Sem piadas. É um nome como qualquer outro.
Natasha acreditou que eu ia matar o boiolão do Pernocas. Agora eu tinha que fazer parecer que eu realmente estava fazendo aquilo. Depois ela me levaria até a grana que ela tinha roubado do cara. E aí eu me livraria dela e da dívida que eu tinha com o Pernocas. Tudo de uma vez. Infelizmente eu não contava com a presença do Caolho.
O segurança vesgo do Pernocas era burro, mas era forte...isso era preocupante.
- O que você ta fazendo aqui? - perguntou o monstro entrando na sala.
- O que VOCE ta fazendo aqui? - rebati indignado. Sempre achei que quando você engana alguém, o cara tem que ter a decência de se deixar sacanear.
- Eu já tava indo fazer o que você me pediu, porra! - respondeu o idiota.
- Então vai logo, caralho - ordenei sem dó.
Infelizmente nesse momento o Caolho reparou em Natasha, que adentrava o recinto.
- É a vadia! - disse o disforme mentecapto apontando pra ela.
Eu não tinha outra escolha. Resolvi pagar o mico. Pulei pra trás do sofá gritando:
- Ela ta armada!
O Caolho me imitou aos gritos de “ai, Jesus”.
Vejam só. O manezão era cristão. Como sempre.
Quando o vi ali no chão, com as mãos na cabeça, aproveitei a oportunidade e acertei o otário na nuca. Com a minha arma. Ele dormiria com os anjos por algumas horas. Mas a essa altura Pernocas já teria ouvido os gritos.
- Mata ele logo! - ordenou Natasha, de dentro da sua saia de couro, querendo ver sangue.
“Vadia sanguinária”, pensei, “acho que to apaixonado”. Nesse exato momento Pernocas entrou na sala com uma metralhadora do tamanho do Danny DeVito. Se ela fosse careca eu teria pedido um autógrafo. Tentei acenar com a cabeça pra ele fugir. Mas o cafonão achou que eu tava lá pra matar ele e não teve dó. As balas atravessaram a sala e acertaram tudo menos eu, que me escondi atrás do sofá, e Natasha, que saiu pela porta derrapando como uma jogadora de Basebal. Infelizmente o Caolho não ateve a mesma sorte e acabou virando paçoca.
Não sei se foi reflexo ou sacanagem subconsciente, mas o fato é que quando eu me levantei, meu disparo pegou exatamente entre os olhos do Pernocas. Guga Caldas, cineasta e franco-atirador. Me lembro de ter reparado que ele girou igual ao Carlinhos de Jesus antes de cair morto. Isso aí, Pernocas... cafona até o último segundo!
Natasha já tinha fugido mais uma vez. E com a grana, como já estava virando costume. A garota tinha me sacaneado de novo. Imaginei que os disparos teriam chamado a atenção dos vizinhos. Tudo o que pude fazer foi limpar minhas digitais da arma e coloca-la na mão do falecido Caolho. Depois saí dali de fininho. Pelo menos eu não precisaria mais me preocupar com aquela dívida.
No dia seguinte, os jornais noticiaram que um casal de gângsters gays tinha se matado numa briga de amor. É, Pernocas... a fama de viado continuou no pós-mortem!!!
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